A síndrome de Estocolmo é uma referência clínica e popular associada à vinculação ambivalente de pessoas sequestradas com seus sequestradoras. a hipótese popular é que, em determinadas situações extremas de ameaça e dependência, a pessoa submetida à violência pode desenvolver sentimentos positivos em relação a quem a mantém nessa condição. Essa aproximação pode ser interpretada como uma tentativa de preservar algum sentimento de segurança diante de uma situação da qual o sujeito nao tem controle algum sobre o que pode acontecer a sua integridade mental e física. A figura que concentra o poder pode ser percebida simultaneamente como fonte de ameaça e como única proteção possível contra uma ameaça ainda maior.
É importante estabelecer uma distinção: a síndrome de Estocolmo não constitui um diagnóstico clínico formalmente estabelecido nos principais sistemas diagnósticos contemporâneos. além disso, a identificação com o agressor e outras respostas ao trauma não são exclusivas dessa síndrome. No entanto, esse diagnóstico pode se transformar em material metafórico para explicar a relação ambígua que todos nós, cidadãos, podemos desenvolver com o Estado e com as instituições. Essas teriam inicialmente a função de nos proteger, mas se tornam capazes de perpetrar grandes violências.
Diante disso, é produtivo utilizar como ponto de partida a investigação de mecanismos de defesa inconscientes como a identificação, negação, idealização e racionalização como formas de escapar do medo e das angústias relacionadas à dependência, ao abandono e não pertencimento.
A relação entre a síndrome de Estocolmo e o apoio eleitoral a políticos de extrema-direita, mesmo diante de denúncias e crimes atribuídos a esses representantes, pode ser explorada como uma metáfora psicológica e política para pensar a identificação com figuras que exercem poder sobre a população.
Essa aproximação permite investigar um paradoxo: por que alguém pode continuar defendendo uma liderança política mesmo quando existem evidências de que suas ações contradizem os interesses que essas pessoas acreditam defender?
O eleitor pode desenvolver uma identificação tão intensa com determinado líder ou programa político que passa a interpretar as críticas dirigidas a eles como ataques à sua própria identidade. A defesa da ideologia politica ou de um politico pode se transformar, assim, em uma defesa de si mesmo.
O político deixa de ser apenas alguém que ocupa um cargo público. Ele passa a representar algo mais amplo: a família, a religião, a nação, uma concepção de masculinidade, uma ideia de ordem, promessa de reconhecimento social.
Nesse cenário, reconhecer um crime cometido pelo representante pode significar, para o eleitor, algo muito maior do que admitir um erro de julgamento. Pode significar questionar o próprio grupo ao qual pertence, as pessoas em quem confia e a visão de mundo que organiza sua existência.
O que está em jogo já não é somente a avaliação racional do mandato, mas a preservação de um vínculo identitário. Que coloca em evidência um mecanismo: Saber não significa reconhecer e escolher envolve investimentos afetivos e simbólicos que se se tornam mais importantes que a razão
Uma pesquisa publicada no International Journal of Public Opinion Research, em 2020, examinou o comportamento de eleitores brasileiros diante de informações sobre corrupção de candidatos. Os resultados indicaram que a ideologia pode influenciar o apoio a candidatos acusados de corrupção por meio de dois mecanismos: mudanças na percepção do que constitui corrupção e avaliações de custo-benefício
Em determinadas circunstâncias, a informação não é necessariamente desconhecida. Ela é submetida a um processo de interpretação que reduz seu impacto sobre a escolha política. Isso permite distinguir três operações psicológicas
A circulação da informação não ê suficiente, se nao levarmos em consideração quais operações psíquicas permitem que uma informação seja reconhecida e possa produzir uma mudança de posição.
Uma leitura psicanalítica:
Em Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921), Sigmund Freud examina como a identificação com um líder pode organizar os vínculos entre os membros de um grupo. O líder pode ocupar uma posição de ideal, tornando-se uma referência por meio da qual os indivíduos sustentam sua identidade coletiva.
Or sujeito passa a idealizar valores na figura do líder. A imagem desse líder adquire um peso que ultrapassa suas ações concretas. Criticar o líder pode ser vivido como criticar o próprio sujeito, sua família, sua religião ou sua comunidade. Esse processo de identificação serve a um propósito de integração e simplificação da vida do sujeito diante de informações contraditórias O indivíduo prefere inconscientemente sempre manter suas crenças adquiridas e preservar sua compreensão da realidade.
Nesse sentido, a defesa insistente a um politico ou ideologia politica pode ser entendida como uma forma de proteção narcísica: preservar a imagem do líder ajuda a preservar a imagem que o próprio sujeito construiu de si.
O líder produz ou intensifica a sensação de perigo, aponta um inimigo e oferece a si mesmo como solução. O vínculo com ele passa a ser sustentado não apenas por aquilo que promete realizar, mas também pelo medo daquilo que supostamente acontecerá se ele perder o poder.
O medo pode transformar a fidelidade política em uma necessidade subjetiva de proteção.
Em O eu e o isso, de 1923, Freud desenvolve sua concepção do Supereu, instância relacionada à internalização de identificações, proibições e ideais que permite aprofundar o problema da obediência irracional. O supereu pode adquirir uma dimensão cruel, punitiva e excessiva. O sujeito experimenta exigências e sentimentos de culpa que parecem exceder a gravidade de suas ações. Sua formação envolve processos complexos de elaboração dos conflitos infantis. Esse conflitos serão explicados mais detalhadamente a seguir no texto.
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A fragilidade psíquica de uma criança
O que acontece com a constituição psíquica de uma criança quando a figura da qual ela depende para sobreviver é também aquela que produz medo, sofrimento ou violência?
Quais consequências podem surgir quando não existe um terceiro capaz de interromper essa relação, oferecendo proteção ou reconhecendo a violência como tal?
Uma das contribuições da psicanálise está em investigar como uma relação originária de dependência, pode participar da constituição das defesas inconscientes, na confusão dos vínculos afetivos na qual proteção e agressão se confundem, e na relação subjetiva do sujeito com a autoridade.
Quando a proteção e a agressão ocupam o mesmo lugar, produz-se uma situação paradoxal.
Na infância, a dependência do adulto não é apenas afetiva. Ela é também material e estrutural. A criança necessita de alguém que interprete suas necessidades, regule os estímulos que ainda não consegue administrar e ofereça condições para a construção de uma experiência contínua de existência.
Quando a figura cuidadora é também a fonte da agressão, A criança não possui poder para barrar o adulto. Não pode simplesmente abandonar a relação, estabelecer seus próprios limites ou exigir que a violência cesse. Ela precisa aproximar-se de quem teme, precisa solicitar cuidado a quem pode machucá-la. Faz um esforço descomunal tentando preservar o vínculo com alguém cuja presença também representa uma ameaça.
Essa contradição não se resolve simplesmente pela escolha de amar ou odiar o adulto. A criança pode experimentar simultaneamente medo, apego, raiva, necessidade de aprovação e desejo de proximidade.
Melanie Klein oferece uma contribuição importante. O desenvolvimento emocional da criança envolve diferentes maneiras de organizar as relações com o adulto, incluindo formas mais divididas de percepção e, progressivamente, a possibilidade de reconhecer aspectos amados e odiados em uma mesma pessoa. Essa integração de diferentes afetos sustenta a formação de seu ego e de seu desenvolvimento emocional.
Em situações de angústia intensa, pode ser difícil sustentar a representação de que a mesma pessoa é capaz de oferecer cuidado e também provocar sofrimento. Nessa saída defensiva a criança precisa cindir a experiência: o objeto é percebido como inteiramente bom ou inteiramente mau, dependendo da situação e da intensidade da angústia. Essa organização psíquica a protege de uma experiência que, de outro modo, seria vivida como insuportável.
Essa dificuldade na integração das experiencias de amor e ódio não é exclusiva de crianças expostas à violência. Mas, na situação que estamos discutindo, a dificuldade ganha uma dimensão maior. Se o adulto é necessário para a sobrevivência da criança, reconhecer plenamente sua crueldade pode ameaçar a possibilidade de manter uma relação com ele. Ao mesmo tempo, reconhecer apenas sua bondade exige negar a realidade da agressão. A criança pode alternar entre idealização e medo, apego e raiva. Pode defender o adulto mesmo que vivencie grande sofrimento diante de suas ações.
Em O ambiente e os processos de maturação, Donald Winnicott desenvolve reflexões sobre a relação entre falhas ambientais, defesas e a formação do falso self.
O falso self não é sinônimo de mentira, hipocrisia ou personalidade falsa. Trata-se de um conceito que descreve diferentes graus de organização defensiva nos quais a adaptação às exigências externas pode adquirir predominância sobre a expressão espontânea do sujeito.
Essa perspectiva permite pensar uma criança que aprende a ser aquilo que o adulto exige, enquanto mantém suas próprias necessidades, sua raiva ou seu medo em uma posição menos acessível. Ela pode parecer obediente, madura e adaptada, mas essa adaptação pode ter sido construída, em parte, como resposta a um ambiente em que ela nao pôde se expressar espontaneamente.
A criança pode se tornar extremamente obediente, antecipando as exigências do adulto para reduzir a possibilidade de novas agressões. A criança aprende a reconhecer sinais de irritação e tenta impedir que a violência aconteça. A experiência de violência pode produzir hipervigilância, dificuldade de confiar, antecipação do perigo e sensibilidade aumentada a qualquer sinal e mudança no ambiente. O tom de voz, o movimento corporal, o ruído de uma porta ou uma mudança aparentemente insignificante no comportamento do adulto podem indicar a possibilidade de uma agressão.
Nesse contexto, a vigilância não é necessariamente uma distorção da realidade. Ela pode ser uma adaptação a um ambiente no qual o perigo realmente existe. Mas essa vigilância torna-se exageradamente generalizada em toda a vida do sujeito. Uma tensão constante se instaura. A criança aprende a procurar sinais de ameaça antes de procurar sinais de segurança e isso pode ser compreendido em termos de respostas traumáticas persistentes. Essa forma de atenção, construída continua operando em contextos nos quais a ameaça já não está presente da mesma maneira e a pessoa pode continuar antecipando a violência, interpretando ambiguidades como sinais de perigo e encontrando dificuldade para reconhecer relações seguras.
Anna Freud em O ego e os mecanismos de defesa, de 1936, discorreu sobre como uma pessoa pode enfrentar uma situação ameaçadora identificando-se com aquele que produz o medo.
Uma criança submetida a um ambiente imprevisível pode começar a imitar o comportamento do adulto agressivo, incorporar suas proibições ou adotar sua maneira de interpretar as relações. Ela passa a identificar-se com os valores do adulto, justificando seus comportamentos e aprendendo a observar o mundo a partir da perspectiva do agressor. Passa a reproduzir a agressividade com outras pessoas e determinados padrões de dominação podem reaparecer em relações posteriores.
As exigências do agressor passam a organizar a maneira como a criança avalia a si mesma. O agressor pode deixar de ser apenas alguém situado fora do sujeito e passa a integrar a organização psíquica da própria criança. Imagine uma criança que é punida quando manifesta raiva, discorda ou expressa necessidades consideradas inconvenientes pelo adulto. Se a relação é marcada pela imprevisibilidade, ela pode aprender que a segurança depende de antecipar e obedecer às exigências da autoridade. Com o tempo, a vigilância pode deixar de depender apenas da presença física do adulto e a criança passa a antecipar internamente o julgamento, a punição ou a rejeição. Nesse deslocamento, a autoridade externa pode adquirir uma dimensão interna. Portanto, o sujeito não precisa necessariamente receber uma ordem explícita para experimentar culpa ou inibição. Pode começar a tratar os próprios desejos e a própria existência como ameaças à manutenção do vínculo e à imagem que construiu de si. Novamente estamos abordando a formação de um supereu inflado pelas exigências de perfeição e autopunição que se estendem posteriormente a punição do outro.
Em Confusão de língua entre os adultos e a criança, de 1932, Sándor Ferenczi investiga os efeitos traumáticos de situações nas quais o adulto impõe à criança uma relação que ela não possui condições psíquicas de compreender ou consentir. Essa assimetria entre adulto e criança ajuda a pensar diversos contextos de violência e abuso de autoridade.
Ele descreve uma situação na qual a criança, diante da violência praticada por alguém de quem depende, pode recorrer à identificação com o agressor. E essa identificação não deve ser entendida simplesmente como uma decisão consciente de ficar do lado de quem a agride. Ela pode envolver uma adaptação psíquica extrema à situação de desamparo.
A criança tenta compreender o que o adulto espera dela, antecipa suas reações e pode passar a organizar seu comportamento em função das necessidades e dos desejos daquele que a ameaça.
Para preservar o vínculo do qual depende, a criança pode precisar modificar a maneira como percebe a própria experiência. A agressão continua existindo, mas sua interpretação pode ser alterada para que o vínculo permaneça psiquicamente suportável. Em determinadas situações, a criança pode até assumir a culpa pelo que aconteceu em vez de reconhecer que o adulto ultrapassou um limite. A pergunta deixa de ser somente: o que acontecerá se eu desobedecer? Para se transformar em: o que há de errado comigo? Sua conclusão pode passar pela ideia de que fez algo errado anteriormente, que provocou de algum modo a agressão ou deixou de corresponder às expectativas desse adulto
A obediência não garante a tranquilidade. Pelo contrário, em determinadas organizações psíquicas, quanto mais o sujeito tenta corresponder às exigências internalizadas, mais a exigência parece aumentar. Uma pessoa pode obedecer rigorosamente às exigências de uma autoridade e, ainda assim, continuar experimentando culpa, medo ou a sensação de nunca ser suficientemente boa.
Isso permite pensar uma situação na qual a criança continua tentando conquistar o reconhecimento de quem a agride, como se a obediência perfeita pudesse finalmente produzir o cuidado que faltou e o adulto pode continuar sendo a referência imaginária de um julgamento que nunca termina gerando impotência e desesperança constante.
A violência, nesse sentido, não precisa permanecer apenas como lembrança de um acontecimento passado. Parte de sua lógica pode ser reproduzida na maneira como o sujeito se trata. A agressão externa pode deixar marcas na formação de uma autoridade interna que mantém o sujeito sob vigilância mesmo quando o agressor já não está presente.
A integração desses aspectos é especialmente difícil quando não existe outra figura que ajude a sustentar a contradição.
A ausência de uma figura protetora não precisa significar ausência física de outras pessoas.
Podem haver outros adultos presentes que não reconhecem a violência, minimizam o sofrimento ou exigem que a criança preserve a imagem familiar. Os adultos percebem o sofrimento, mas o negam. Logo a criança aprende que só será amada se não falar sobre o que aconteceu. Nesses casos, a criança pode continuar vivendo com a família, recebendo cuidados materiais enquanto suas experiências emocionais mais importantes não encontram reconhecimento.
O trauma pode se agravar quando não existe outra figura suficientemente confiável que possa reconhecer, compreender, simbolizar, situar essa experiência e oferecer uma experiência relacional diferente.
A identificação e sustentada como tentativa de diminuir o desamparo diante da realidade de uma experiencia altamente cruel. Anteriormente foi dito que a experiencia de manutenção de uma crença e mantida pelo sujeito diante do desconhecido e do diferente. Essa afirmação reflete nao somente a essa angustia mas ao trauma referente a violência sofrida.
O preço de toda essa experiencia pode ser , no mínimo, a dificuldade de reconhecer a legitimidade das próprias necessidades, da própria raiva e dos próprios limites.
Isso ajuda a compreender por que algumas pessoas defendem alguém que as maltrata ou reproduzem discursos que justificam a violência e o ódio.
O que isso pode significar para a síndrome de Estocolmo?
A ligação com o agressor pode ser compreendida, nessa perspectiva, como uma das possíveis maneiras de preservar uma representação suportável do objeto do qual se depende. Através da dependência e a ambivalência de sentimentos. O sujeito sofre na relação, mas depende. A presença desse outro agressor produz medo, mas sua ausência também pode produzir angústia. A possibilidade de afastamento pode adquirir um significado paradoxal. Uma solução defensiva pode consistir em minimizar a agressão, idealizar o agressor ou atribuir a culpa a si mesmo.
Essa contradição permite compreender por que a separação nem sempre é experimentada como libertação imediata. O agressor pode continuar sendo a única referência disponível para organizar a vida cotidiana, obter alimentação, receber reconhecimento ou compreender o mundo.
Quando a única figura disponível para proteger é também aquela que ameaça, a proteção e o abandono deixam de ocupar posições claramente separadas na experiência do sujeito. O que deveria funcionar como segurança passa a ser imprevisível. E aquilo que deveria ser uma possibilidade de afastamento da violência pode ser vivido como risco de desamparo.
Esse paradoxo pode reaparecer, de maneiras variadas, em todas as relações posteriores. Uma pessoa pode sentir-se atraída por figuras autoritárias, experimentar grande angústia diante da possibilidade de separação ou tolerar comportamentos abusivos para preservar um vínculo.
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Em vez de partir da confiança e revisar sua posição diante de evidências de perigo, pode partir da expectativa de que o perigo está sempre prestes a surgir.
A pessoa pode sentir-se mais segura com alguém autoritário, cuja maneira de agir conhece, do que com alguém que lhe oferece liberdade, mas exige que ela reconheça sua própria autonomia.
Conclusão
Podemos estabelecer uma aproximação com as dimensões psíquicas e políticas. Se a autoridade é apresentada como infalível, questioná-la pode adquirir o significado de colocar em risco o próprio lugar do sujeito no grupo.
A discordância deixa de ser apenas uma diferença de opinião. Ela pode ser vivida como ameaça de exclusão, perda de reconhecimento ou ruptura de um sistema de referências.
Em que momento a defesa de uma liderança deixa de ser uma escolha política racional e passa a funcionar como uma defesa da própria identidade, na qual reconhecer os erros do líder se torna psicologicamente mais ameaçador do que conviver com eles?
O sujeito não consegue sustentar uma posição própria diante da autoridade e precisa fazer da palavra dessa autoridade a garantia de sua própria existência. Essa dinâmica disfuncional pode aparecer em famílias, instituições educacionais, organizações profissionais e relações amorosas. Essa expectativa pode limitar a possibilidade de construir novos vínculos e politica de um povo, uma comunidade um pais se tornem uma ameaça aos direitos humanos e a construção de subjetividades diferentes da vigente, da hegemônica. Essa lógica de violência psíquica perpetua a violência social e institucional e reforça a manutenção de um horizonte de fascismos e guerras.
É nesse ponto que a aproximação entre psicanálise, psicologia política e crítica da dominação podem render uma reflexão consistente.